"Lembra de mim quando as coisas não estiverem boas.
Lembra de mim quando pedir às traças para curar os seus machucados e trocar as suas ataduras.
Quando você esquecer de abrir a janela, me culpe.
Quando você economizar sua saliva por cinco minutos. E chorar.
Acho que é uma cena oportuna pra me esquecer. Portanto, não perca tempo.
Tenho uma coisa pra te falar sobre o passado: ele te trai.
Então, lembra de mim antes que
Antes que meus olhos sequem
Antes que minhas mãos tremam
Antes que a minha voz acabe.
Antes que eu desista dos clichês, das rimas pobres e do ouvido intelectual demais.
Antes que eu termine de me destruir. Ainda falta um espaço aqui, eu deixei a melhor parte pra você.
Me guardei no frio pra que a carne não estragasse nesse mormaço eterno da solidão.
Não queima, não congela, mas resfria, e adoece.
Lembra de mim quando a chacina não te comover mais. Eu acho que apaguei do mapa todas as suas pegadas.
E se enciume do seu choro.
Eu acho que já dancei com quase todas as suas mágoas. Elas sabem todos os meus passos.
Pergunte aonde diabos eu me perdi na arte. E se puder, me conte.
O que me intriga, certamente, é dizer pra todo mundo que te superei, contar nos dedos e na alma todas as contusões e fraturas expostas, todas as desistências, as fugas, os remorsos, as linhas, e rir, como quem se orgulha de uma aventura qualquer. Quase morrer, o que me importa, se nunca morri?
E só se morre uma vez. Só se morre uma vez. Eu acho.
Seu amor é um leve desmaio. Fingido.
Acordo, respiro, choro, silencio. Só.
Me contento com os segredos que você desenhou entre as minhas vírgulas.
As minhas pausas que ainda não sei se serão finais. Ou começos.
Isso tudo me dá ânsia de vômito, você sabe. É nojento, é sádico, é cruel, é desumano e inescrupuloso. Eu deveria ter vergonha.
Mas eu só tenho remédios pra dormir. Você quer?
Lembra de mim quando olhar no espelho e só lembrar de disfarçar as olheiras roxas. Sei o quanto você se distraí adocicando os olhos com um colírio especial de lágrimas superficiais.
Seus olhos ficam lindos quando estão vermelhos, inclusive. Parecem banhados em próprio sangue.
Suicídio poético e adulterado.
Sei também do seu sentimento de perda. Mas você nunca vai saber.
Nunca vai saber que me perdeu. Eu prometo.
Porque tenho pra mim que ainda vou voltar todas as vezes em que você quiser… Sei lá, abrir as janelas, talvez. Chorar comigo, também. Observar a chuva e gostar de ser triste, por achar bonito que o céu nos mande pro inferno.
E eu sei que somos pulmões enormes tragando toda a fumaça do mundo.
E pulmões não se reconstituem tão fácil assim. Morrem antes mesmo de saber que estão matando.
Lembra de mim quando quiser, aliás.
As coisas nunca mais foram tão boas, tão simples, tão bonitas assim. Você sabe.
Eu estou feliz.
Você está feliz.
E nem eu e nem você sabemos o que é felicidade ainda.
Mas se quer saber, machuca. Não, você não quer saber.
Não tenho ninguém pra ligar no fim do dia e dizer:
“Droga. Volta, que eu to com saudade. Me perdoa, por favor, me perdoa, me perdoa.”
Traduzindo: nada. Deixa pra lá.
Lembra de mim. Só isso.
Antes que seja tarde demais, e o amor seja tédio.
Antes que surja a primeira estrela no céu
E a última dor na Terra.
Só lembra de mim.
Pro mapa-múndi não ser tão grande.
E pras estradas ainda fazerem sentido.
E se quiser voltar, volta.
Talvez eu deixe um bilhete pra você."
- Cinzentos  (via convulso)

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"Querido Carlos.
Bom, eu não sei como começar esta carta, você bem sabe que eu nunca me dei bem com começos. Pensando bem, eu nem lembro como começamos, se é que um dia tivemos um começo. Bom Carlos, desde a sua partida eu andei partida. Meio clichê, mas você me conhece, eu sempre usei essas frases de efeito. Minha psicologa mandou te escrever uma carta, contando tudo que eu sinto, ou deixei de senti. Ela disse que mesmo que eu não entregue a ti, pelo menos eu coloquei pra fora o que eu venho tentando esconder. Sim, tentando esconder. Nunca fui boa com mentiras, mas ultimamente foi o que eu andei contando. Falei para todos que eu estava bem, que eu iria seguir em frente numa boa, como se nada tivesse acontecido. Eu acreditava, juro! Mas com o passar dos dias, a sua falta se tornou um peso. E como um fardo, ficou pesado demais para mim. As lágrimas vinham com facilidade, e por incrível que pareça, até o meu vizinho gostoso se chama Carlos. Peguei uma pequena raiva dele, e de todos os outros que me lembravam você. Eu não sei o que anda acontecendo comigo ultimamente, eu nunca fui de ir para baladas, de beber todas e ficar com ressaca no outro dia. Mas parece que, mesmo sendo uma forma desesperada de te esquecer está dando certo. Eu beijei outras bocas para esquecer o doce dos teus lábios, tentei encontrar carinho em outros abraços. Não vou ser criança dizendo que encontrei, pois o teu perfume ainda é o meu preferido. Eu não sei o seu novo endereço, e pensando bem, não quero saber. As feridas causadas por sua causa, me tornaram um ser desconhecido, até para mim, que tinha tanta certeza de quem eu era. E por meio destas palavras sem sentido, estou te deixando ir. Cansei de alimentar esperanças por algo que deixou de existir."
- O Diário de Sofi.     (via stuffedd)

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flamejar-se.tumblr.com

umlugarparafugir:

Estava voltando de carro com um casal de amigos recém casados. Aparentemente felizes. Aparentemente suspeitos. De repente começaram a falar de rosas, só ai notei que a moça carregava uma planta entre as pernas cruzadas, foi quando ele disse com tom suave e cortante:

- Por…

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c-a-n-a-r-i-o:

Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança
Onde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar.

Chico Buarque

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amantedomar:
“ cearoca:
“ ahmeudeusu!
”
sem comentarios
”

marasmos:

e fingir

que em mim não viu poesia

isso já é covardia.

vou deixar a porta aberta

caso você resolva voltar.

o.h

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